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Um podcast quinzenal de divulgação científica de estudos de gênero e sexualidade
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7 GEN 2025 · Nessa semana, conversamos com Francisco Miguel, que é doutor em antropologia pela UNB. Nossa conversa foi sobre seu artigo https://www.scielo.br/j/mana/a/mG8Jck9Wk7SNTvkt4xtH4Yd/, publicado em 2021 pela revista Mana. Por meio de uma etnografia desenvolvida na província de Maputo, em Moçambique, Francisco observou os usos da linguagem, em Português e Changana, para se referir ao campo semântico da homossexualidade. O pesquisador retraçou um processo de institucionalização da homossexualidade no sul daquele país, demonstrando que apesar das categorias específicas para se referir a subjetividades centradas na sexualidade sejam relativamente recentes e parte de um processo de mudança social, essas comunidades frequentemente acionam ou desenvolvem outras categorias, mais descritivas de gênero, para dar conta desse campo semântico. Dessa forma, Francisco intervem no frutífero debate sobre os usos das categorias analíticas de gênero e sexualidade em África, questionando as teses de que gênero não seria um conceito útil para a análise das sociedades africanas ou de que a homossexualidade seria uma prática colonial imposta àquela região.
7 GEN 2025 · Nessa semana, conversamos com a Rayani Mariano dos Santos, que é doutora em Ciência Política e professora da Universidade Federal de Goias. Nossa conversa foi sobre sua tese de doutorado https://repositorio.unb.br/handle/10482/38470. Por meio da análise dos discursos proferidos na Câmara dos Deputados durante o processo de tramitação do Projeto da Lei da Palmada (PL 7672/2010), do Estatuto(s) da(s) Família(s) (PL 674/2007 e PL 6583/2013), do Escola Sem Partido (PL 7.180/2014) e sobre a ideologia de gênero, Rayani analisou a maneira como a família foi mobilizada nesses debates, demonstrando como conservadorismo e neoliberalismo tem se articulado. Seu trabalho contribui para os estudos sobre gênero, sexualidade e política, oferecendo um excelente mapa dos debates no legislativo brasileiro e algumas possibilidades interpretativas.
7 GEN 2025 · Quem pesquisa sobre políticas públicas com as lentes feministas ou acompanha o ativismo feminista transnacional com certeza já ouviu falar em transversalização de gênero, mas final o que é isso? Qual a origem dessa estratégia? E como implementá-la? Essas e outras questões são respondidas em nosso mais novo episódio da linha de breves introduções incendiadas. Para aprofundar o estudo:
BANDEIRA, Lourdes. https://periodicos.unb.br/index.php/revistadoceam/article/view/10075. Brasília: SPM; CEPAL, 2005.
CAGLAR, Gülay. https://doi.org/10.1017/S1743923X13000214. Politics & Gender, v. 9, n. 3, p. 336–344, set. 2013.
HANKIVSKY, Olena. https://doi.org/10.1017/S0008423905040783. Canadian Journal of Political Science/Revue canadienne de science politique, v. 38, n. 4, p. 977–1001, dez. 2005.
LOMBARDO, Emanuela; MEIER, Petra. https://doi.org/10.1177%2F1350506806062753 European Journal of Women’s Studies, v. 13, n. 2, p. 151–166, 1 maio 2006.
LOMBARDO, Emanuela; MEIER, Petra; VERLOO, Mieke (Org.). The discursive politics of gender equality: stretching, bending and policymaking. London; New York: Routledge, 2012.
MATOS, Marlise; PARADIS, Clarisse. https://doi.org/10.17141/iconos.45.2013.3111. Iconos. Revista de ciencias sociales, n. 45, p. 91–107, 2013.
MOSER, Caroline; MOSER, Annalise. https://www.jstor.org/stable/20053145. Gender & Development, v. 13, n. 2, p. 11–22, 1 jul. 2005.
OECD. https://www.oecd.org/gov/toolkit-for-mainstreaming-and-implementing-gender-equality.pdf. Paris: OECD Publishing, 2018
WALBY, Sylvia. https://www.bristol.ac.uk/poverty/ESRCJSPS/downloads/research/uk/6%20UK-Poverty,%20Inequality%20and%20Social%20Exclusion%20(Gender)/Articles%20(UK%20Gender)/Walby-%20Gender%20Mainstreaming%20Productive%20Tensions%20in%20Theory%20and%20Practice.pdf. Social Politics: International Studies in Gender, State & Society, v. 12, n. 3, p. 321–343, 1 out. 2005.
7 GEN 2025 · Nessa semana, conversamos com o Lucas Lauriano, que é professor da escola de negócio IESEG em Paris, sobre seu mais recente artigo https://journals.aom.org/doi/10.5465/amj.2020.0586. Por meio de uma etnografia da uma grande montadora de carros, Lucas e eu investigamos a maneira como o colapso de contextos provocado pelas redes sociais dificultou a gestão da identidade de trabalhadores gays. Nosso trabalho coloca em cheque a ideia de que as pessoas possuem controle sobre seus estigmas ocultáveis, especialmente com a onipresença das redes sociais, e demonstra que isso tem consequências graves para pessoas LGBT em suas vidas pessoais e no trabalho.
7 GEN 2025 · Nessa semana, Regina Facchini e eu conversamos com a analista do discurso Beatriz Pagliarini Bagagli e a antropóloga Brume Dezembro Iazzetti sobre o conceito de cisgeneridade. Apesar da crescente difusão do termo cisgeneridade, que atualmente já está dicionarizado na língua inglesa e é utilizado até mesmo para a produção oficial de dados em países como Austrália e Estados Unidos, permanecem existindo confusões e disputas sobre seus usos. Bia e Brume nos contaram as origens do conceito, suas várias definições e ainda explicaram sobre essas críticas e disputas contemporâneas.
Esse episódio faz parte da nossa parceria com o https://www.pagu.unicamp.br/, da UNICAMP, e foi inicialmente transmitido como uma live do projeto Gênero e Desigualdades, que conta também com parceria do https://numas-usp.blogspot.com/, o NUMAS, da USP. O que você vai ouvir é uma versão editada das falas iniciais de Bia e Brume, após essa apresentação ainda ocorreram duas rodadas de perguntas e respostas. Caso você queira ouvir o conteúdo na íntegra, ele está disponível no youtube do NUMAS ou do PAGU.
Além disso, temos mais dois pequenos avisos. O primeiro é que o Larvas está completando 3 anos no ar. Isso mesmo, dia 5 de dezembro agora é o terceiro aniversário da publicação do nosso primeiro episódio. Tem sido um prazer passar esse tempo todo com vocês. Muito obrigado a quem sempre nos acompanha.
7 GEN 2025 · Nessa semana, conversamos com Livia Ciabatti sobre seu mais recente artigo https://www.scielosp.org/article/rsp/2021.v55/46/pt/, publicado na Revista de Saúde Pública. Lívia e suas parceiras de pesquisa coletaram as métricas de publicação de todos os professores e professoras da USP para avaliar os efeitos da desigualdade de gênero na carreira científica. Os resultados revelam que os homens vem apresentando métricas melhores que as mulheres em todas as etapas da carreira nos últimos 70 anos e se nada for feito para alterar a situação, a tendência é de que a desigualdade não será superada. Dessa maneira, seu trabalho nos oferece dados empíricos de qualidade que escancaram o sexismo na ciência brasileira.
7 GEN 2025 · Nos últimos anos, a interseccionalidade se popularizou. A palavra aparece no título de vários livros, em documentos oficiais de governos e até em artigos de opinião analisando o Big Brother, publicados em revistas de grande circulação, mas afinal o que é a interseccionalidade? Qual a origem dessa ideia? E como aplicá-la? Esse episódio, que inaugura nossa linha de breves introduções incendiadas, buscará responder essas questões. O objetivo não é esgotar o assunto, mas oferecer uma introdução rápida, porém de qualidade, além de indicar uma trilha de leitura.
Para aprofundar o estudo:
AKOTIRENE, Carla. Interseccionalidade. São Paulo: Pólen, 2019.
BILGE, Sirma. https://www.cambridge.org/core/journals/du-bois-review-social-science-research-on-race/article/abs/intersectionality-undone/F519D9CE885DBDDBF3F92BA5D22EA7E9. Du Bois Review: Social Science Research on Race, v. 10, n. 2, p. 405–424, ed 2013.
COLLINS, Patricia Hill. Intersectionality as critical social theory. Durham: Duke University Press, 2019.
COLLINS, Patricia Hill; BILGE, Sirma. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo Editorial, 2021.
CRENSHAW, Kimberlé. https://chicagounbound.uchicago.edu/cgi/viewcontent.cgi?article=1052&context=uclf. University of Chicago Legal Forum, v. 1989, n. 1, p. 139–167, 1989.
CRENSHAW, Kimberlé. https://www.scielo.br/j/ref/a/mbTpP4SFXPnJZ397j8fSBQQ/?format=pdf&lang=pt. Estudos feministas, Florianópolis, v. 1, 2002.
CRENSHAW, Kimberlé. http://blogs.law.columbia.edu/critique1313/files/2020/02/1229039.pdf. Stanford Law Review, v. 43, n. 6, p. 1241–1299, 1991.
HANCOCK, Ange-Marie. Intersectionality: an intellectual history. New York, NY: Oxford University Press, 2016
HIRATA, Helena. https://www.scielo.br/j/ts/a/LhNLNH6YJB5HVJ6vnGpLgHz/?lang=pt. Tempo Social, v. 26, p. 61–73, jun. 2014.
KERGOAT, Danièle. https://www.scielo.br/j/nec/a/hVNnxSrszcVLQGfHFsF85kk/?lang=pt. Novos estudos CEBRAP, p. 93–103, mar. 2010.
PUAR, Jasbir. http://revista.fumec.br/index.php/meritum/article/view/2171. Meritum, Revista de Direito da Universidade FUMEC, 2013.
YUVAL-DAVIS, Nira. https://hal.archives-ouvertes.fr/hal-00571274/document. European Journal of Women’s Studies, v. 13, n. 3, p. 193–209, 1 ago. 2006.
7 GEN 2025 · Nessa semana, conversamos com Renan Quinalha, que é doutor em relações internacionais e professor de direito da UNIFESP. Nossa conversa foi sobre seu mais recente livro https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14590, publicado pela editora Companhia das Letras. Por meio de uma extensa e cuidadosa pesquisa documental nos acervos da Comissão Nacional da Verdade, do Arquivo Nacional e dos arquivos públicos do Rio de Janeiro e São Paulo, Renan investigou a maneira como a ditadura militar brasileira desenvolveu um conjunto articulado e coerente de políticas sexuais para controlar a moral sexual, os corpos e as identidades das pessoas LGBT. Dessa maneira, seu trabalho oferece uma interpretação original para a relação entre a ditadura e a comunidade LGBT, contrariando a tendência de reduzir a repressão da ditadura aos movimentos políticos de oposição e à luta armada.
7 GEN 2025 · Nessa semana, conversamos com Helena Monaco, que é doutoranda em antropologia social pela UFSC e uma das idealizadoras da https://www.instagram.com/bi__blioteca/. Nossa conversa, foi sobre sua dissertação de mestrado intitulada https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/216098. Por meio da etnografia de um coletivo de pessoas bissexuais e monodissidentes, seu trabalho opera dois movimentos de pesquisa. Em um primeiro, Helena explora a maneira como o coletivo desenvolve estratégias para lidar com as disputas identitárias sobre a sujeita do movimento, analisa também como as pessoas que integram o coletivo compreendem e buscam alternativas para enfrentar a invisibilidade bi, os estereótipos e a vulnerabilidade da saúde mental. Em um segundo movimento, foca no processo de construção da subjetividade de suas interlocutoras, mostrando a importância dos encontros com o coletivo nesse processo e questionando algumas narrativas de essencialização da bissexualidade. Dessa maneira, seu trabalho contribui para aprofundarmos nosso olhar sobre o movimento de pessoas bissexuais e monodisidentes.
A dissertação da Helena está entre as finalistas do https://www.anpocs2021.sinteseeventos.com.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=1079, na categoria dissertações. Parabéns Helena!
Indicações
Ao final da conversa, Helena indicou o seu perfil de divulgação científica sobre bissexualidade no instagram, a Bi-Bilioteca, o Grupo Amazônida de Estudos sobre Bissexualidade (https://www.instagram.com/gaebi_pa/) e o evento que estão organizando: o https://www.instagram.com/sena__bi/. Não deixe de conferir!
7 GEN 2025 · Nessa semana conversamos com Vera Gasparetto, que é doutora em Ciências Humanas pela UFSC. Nossa conversa foi sobre seu mais recente artigo , publicado em 2020 pela Revista Estudos Feministas. Por meio de uma pesquisa de campo e entrevistas com pesquisadoras e ativistas moçambicanas, Vera retraça um quadro da organização do campo dos estudos de gênero em Moçambique, desde seu início nos anos 1980 até a atualidade. A luta pela independência, as tradições e culturas locais, e mais recentemente as linhas de financiamento internacionais, são algumas das influências que autora destaca como afetando esse processo de constituição e consolidação desse rico e disputado campo de pesquisa. Seu trabalho contribui para alargarmos esse corredor de saberes entre Brasil e Moçambique.
Eu gostaria de agradecer a todas as pessoas pelo carinho e compreensão nesse tempo que o Larvas deu uma pausa. Trabalhar, ter uma vida acadêmica e ainda manter um podcast em plena pandemia não é nada fácil e as coisas meio que se enrolaram no mês passado. Precisei dessa pausa para colocar alguma ordem na vida e agora voltamos. Obrigado!
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| Autore | Larvas Incendiadas |
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| Categorie | Scienze sociali |
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